05 de Dezembro de 2019
Eu estava longe.
Na verdade eu quase nunca estive aqui, nesse corpo, nessa pele, sendo quem eu queria ser.
Foram anos longe de mim, das minhas opiniões, dos meus desejos. Agora não mais!!
Fui criança boba, devagar, que dizia sempre o que precisava fazer, o que tinha que fazer, dependente. Nunca contrariava. Aceitava tudo pra ter a amizade de alguém. Precisava que suas amigas lhe dissessem que era boa o suficiente pra ser amiga delas.
Criança que não via maldade em quase nada, enganada por pessoas más. Que sofreu com sua aparência - e ainda sofre.
Menina que foi crescendo e sentindo os efeitos da adolescência chegando. Menina que era pura e ingênua, que achou que estava sendo cuidada, mas estava sendo aproveitada. Que pensou que precisava guardar segredo porque aquilo, supostamente, era um carinho. E guardou. E se fechou. E se culpou. E cresceu.
Cresceu esquecida e culpada. Esquecida sim, pois sua mente tentou ignorar tudo o que passou e, infelizmente, culpada por não ter falado.
Adolescente Mia Colucci mas que desejava mais que tudo ser como a Roberta Prado, já que ela tinha coragem de enfrentar seus medos.
Adolescente que fez poucas coisas com medo de desagradar a mãe. Com medo de decepcionar. Que não queria ser igual a alguém. Que não queria fazer os outros passarem por o que já tinham passado com outras pessoas. Adolescente que se podou, se guardou tão dentro de si que se perdeu.
Sempre com o comportamento exemplar, de quem não fica nem em recuperação, quando na verdade queria mesmo era extravasar. Queria gritar, sair, correr... viver.
Se apaixonou diversas vezes, mas começou a amar verdadeiramente. Esse amor que cresceu tão rápido que ela sabia, no seu mais íntimo, que seria esse sentimento que faria com que suas cadeias se quebrassem e ela poderia finalmente viver.
Sim, viver!! Se conhecer, saber quem era, do que gostava e o que queria. Foi esse amor que a fez enxergar que ela poderia ser e fazer muito mais!
E agora, a criança, a menina, a adolescente e a adulta vivem juntas em um só corpo. Aprendendo a dividir os espaços, as memórias, os sentimentos e as palavras. Começando a se reconhecer no espelho, nas personagens femininas fortes e corajosas, nas heroínas que salva a si mesmas e o resto do mundo - mesmo que precise de ajuda de seus machos feéricos.
Essa sou eu. Em construção. Espero que eu sempre esteja! Que eu perca o medo de desagradar, o medo de não alcançar as expectativas dos outros, de não ser a melhor em tudo. Que eu aprenda a respeitar meu tempo, meu corpo, minha mente. Que seja sempre um processo e que eu saiba admirar a jornada e aproveitá-la, pois o final não será vivido, apenas lembrado pelos outros.
Que eu seja lembrada como alguém que soube viver e não apenas alguém que existiu. Que eu faça a diferença na vida de alguém, mas que eu não me cobre pra que isso seja a coisa mais importante do momento.
Nunca mais quero me perder dentro de mim. Não quero me procurar e não me achar. Quero sempre me conhecer e reconhecer. Quero ser eu, seja loira, morena, cabelo rosa, longo ou curto, com pequenas tatuagens ou um braço todo fechado. Quero apenas "ser livre pra voar" e libertar!!! LIBERTAR!!
só joguei, não corrigi nada porque finalmente elas saíram de mim e não quero tirá-las da realidade.
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